para comentar em zero hora: http://bit.ly/cleimobil
Não chega a ser uma guerra. Mas quase. Pela TV, principalmente, vários religiosos disputam fiéis. Porém, no final de semana, um acontecimento quase despercebido ocupou rapidamente as manchetes: uma campanha publicitária promovida por uma associação de ateus.
Sem entrar no campo filosófico ou teológico, o fato serve pra trazer à tona um debate que, nas rodas de bate papo, dá muito pano pra manga. Ser ateu, não ter religião, ser católico, evangélico, cristão, protestante, batista ou qualquer outra crença de nossa civilização ocidental. Ou não ter uma ou nenhuma dessas “premissas”.
Por que ocidental? Porque aí está a origem da maioria de nossos debates. Nós (os brasileiros) somos, pela cultura portuguesa que herdamos e em grande maioria, católicos - o maior país católico do mundo, ao que se sabe. Aqui reside o princípio da fé. Ora, para se ter religião, é preciso crer.
Mas e se eu não quiser crer? Se quiser ficar à parte das discussões que impedem transfusões de sangue, relações com camisinha, evoluções científicas, transplantes, origem do universo, evolução. E se não quiser fazer parte de batalhas que promovem massacres e genocídios ou incentivam, inclusive, atos terroristas? Não é possível!
Nossa cultura, mesmo que muitas vezes abastecida pelo sincretismo que mistura religiões, exige a crença. A fé, com seus princípios e dogmas, faz pensar que, como ocorreu com uma amiga, não é possível a cura pela ciência, mas sim pela religião.
Também faz, aos outros, pensar que, se não temos religião, não temos “time” ou o nosso é maligno, é comandado debaixo da terra por um ser com chifres que gospe fogo. Aqueles que não crêem, para o bem ou para o mal, simplesmente não têm alma, salvação ou redenção. Quase como todo o oriente!
Na contramão da cultura, a política, ingloriamente, tentou debater temas religiosos como o aborto – recentemente, na campanha presidencial. Assunto também tratado no Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH III), que, em meio as discussões, procurou retirar o crucifixo das salas de aula nas escolas e gerou revolta na população.
Contudo, não deveria o Estado ser laico?
Aparentemente, não deve. E, voltando à introdução, neste final de semana, uma campanha publicitária utilizando busdoor foi proibida de veiculação em Porto Alegre em razão de uma lei municipal que restringe manifestações religiosas. (E também a ausência delas).
O assunto foi pautado em ZeroHora.com. Tratavam-se de cartazes patrocinados pela Associação Brasileira de Agnósticos e Ateus (ATEA), que, entre imagens trazia citações como "Religião não define caráter" e "A fé não dá respostas. Ela só impede perguntas".
A campanha tem por mote o combate ao preconceito contra ateus. Ora, se as pessoas têm o direito a suas crenças, fé e religião, não posso ter o direito de não crer, de ignorar a fé, deus (com minúscula mesmo), e qualquer manifestação holística? Religião pra quê?
