É senso comum que a história sempre se repete. Na política, às vezes, piora. Na propaganda, muita coisa se copia. Com a facilidade de produzir conteúdo e o acesso de nossa modernidade online, são raros os “ovos de Colombo”.
Por isso, fico imaginando que o “gênio” do marketing petista acordou, calçou suas pantufas e pensou: “hoje, vou brincar de ser Kubrick, quem sabe não transformo um adversário dos meus patrões em ....
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
sexta-feira, 16 de maio de 2014
#Artigo: Morte a Barbosa e Dirceu pra presidente
Calma. Não corroboro com qualquer ato violento ou que possa vir a causar violência ou mesmo morte. E, já pedindo o perdão daqueles que creem em mandamentos, já me passou, sim, pelo pensamento que alguns poderiam ir antes que outros.
Nem por isso há motivo pra incitação a crime, linchamentos, agressões de qualquer espécie. O título do texto é mesmo para chamar a atenção. Há um fato noticiado esta semana que
terça-feira, 6 de maio de 2014
#Artigo: "Um país de piadistas"
A começar pelo presidente da agremiação, Rui Falcão. Na seleção dos camisas vermelhas com uma estrela, ele é o escalado para sentar o martelo em qualquer “cabeça de prego”, na visão de seu time, que se alvoroce contra o establishment.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
#Artigo: Sabe de nada, inocente! "Enquanto o circo pega fogo com combustível da Petrobrás, Lula apaga o incêndio causando outro."
Muito pelo contrário. Lula sabe, e muito! Se tem uma pessoa que conhece como funciona a política brasileira é ele. Lula faz parte da história política brasileira como um todo, da ditadura à Constituição que seu partido não ...
sexta-feira, 18 de abril de 2014
#Artigo:: O preço alto do revanchismo entre as siglas é ser a mosca do alvo petista
"Nesse cenário, Aécio não disse a que veio. E ainda há a incógnita do fator Eduardo Campos com Marina Silva nos próximos capítulos…"
Nesta eleição, entre os candidatos à presidência, Aécio “neto de Tancredo” Neves é o ator escalado para representar a polarização eleitoral do Brasil. A cada quatro anos, PT versus PSDB disputam o “Fla-flu” de nossa política nacional.
Desde a morte de seu avô, passado o soluço (hic!) de Collor na presidência, essas agremiações digladiam-se em busca do eleitorado. Tal característica o mantém na faixa dos 15% nas pesquisas, a mesma que já ocupou Serra. E poderia ser eu ou você, com igual índice, se tucano fôssemos.
O programa de Aécio, veiculado nessa quinta, deixou isso claro. Tese e antítese. Aida assim, continua “escondido” o dinossáurico ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, há 12 anos na geladeira. Mas quem lembra dele? E o que ele agrega? Nada. Ou um pouco de seriedade ao difamado estilo playboy do senador mineiro.
Nesse momento de possível combustão social, de manifestações e questionamentos, de insatisfação geral e econômica, de redes sociais e rolezinhos, colar a imagem no passado jurássico do Plano Real parece um equívoco. Há méritos, claro, mas precisamos de um novo Real? Não.
Se FH não ajuda, a própria presidente, o deputado semimorto, André Vargas, e o doleiro o fazem. Não fosse a possibilidade iminente da CPI da Petrobrás, a oposição telecath ao governo Federal estaria a ver navios. Lógico que o fato que já protagonizou o programa do socialdemocrata irá rechear a campanha eleitoral e viralizar a internet.
Aécio paga o pato de ter que se submeter ao balde de caranguejos de seu partido. Sua indicação como pré (inocuidade da legislação eleitoral!) candidato demorou a sair. Também não há um vice definido. E defender a Petrobrás é obrigação para torná-lo mais conhecido e questionar a gestão de sua adversária.
O preço alto do revanchismo entre as siglas é ser a mosca do alvo petista. Não se trata mais de esquerda X direita X projeto. A situação é tão esdrúxula que chegou ao ponto de ele propor transformar o Bolsa Família em política de estado e “restatizar” a Petrobrás. Quando na história desse país?
De outro lado, o PT procura levar a CPI a Minas (Furnas) e descaracterizar o semblante de bom moço do senador. Pra isso, vale tudo! Desde insinuações sobre uso de drogas ao popularizado vídeo do pileque no Rio de Janeiro – cidade maravilhosa. Aspas: Lula tem pecha semelhante.
Assim como a televisão influencia o eleitor, também as pesquisas eleitorais colaboram. Não por acaso a pesquisa divulgada pela Carta Capital – sabidamente apoiadora de Dilma – veio a público no exato dia do programa de TV de Aécio. À noite, o Ibobe apresentou a presidente em queda.
Nesse cenário, Aécio não disse a que veio. E ainda há a incógnita do fator Eduardo Campos com Marina Silva nos próximos capítulos…
(*imagem do programa de TV. Clique aqui para assistir)
(*imagem do programa de TV. Clique aqui para assistir)
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
#Artigo: Política ainda que à tardinha
“O
que a política ensina é que os governos e as pessoas nunca aprendem com a política.”
A
citação, parafraseada do filósofo Alemão Friederich Hegel, serve para
contextualizar – ainda que descrente por alguns – o momento político de euforia
pré-eleitoral em que vivemos.
![]() |
| fonte imagem: http://bit.ly/19W6lUe |
Quando
o ex-presidente Lula antecipou o debate da sucessão presidencial, ao afirmar
que a candidata seria a atual presidente (e não ele), tudo parecia um pouco
mais de mesmice em nosso quadro eleitoral. Mais uma vez, PT X PSDB comporiam o
cenário da disputa em 2014.
À
época, o mais próximo de uma surpresa seria a candidatura do ministro Joaquim
Barbosa, que se embalava nos holofotes que o julgamento do mensalão lhe
proporcionara. Nada de novo no front.
Depois,
entre tapas e beijos, surge a possível candidatura à presidência do deputado
Feliciano, mais conservadora e ligada ao meio evangélico. Passada a
efervescência midiática, o que restou foi a possibilidade de uma candidatura
nanica nesse campo.
Mais
recentemente, a pauta que ainda repercute é a filiação, “aos 48 do segundo
tempo”, de Marina Silva ao PSB de Eduardo Campos, candidato advindo da base do
governo federal, sendo ambos ex-ministros do Governo Lula.
Mas
quem, de fato, não aprendeu nada nesses movimentos foi o marqueteiro do governo
e da candidata Dilma, que disparou contra os “anões” candidatos. Na mesma
linha, nesta semana, Dilma passou a “bater” na nova dupla de adversários,
provando que política não ensina.
Por
quê? Ora, as respostas às ruas não foram dadas. As ações do governo e
tentativas de reformas e “novidades”, entre elas a política, caíram no
ostracismo. Exemplo: ministros e outros donos do poder continuam a passear de
aeronaves, até mesmo com aquelas reservadas ao SAMU.
Além
disso, as manifestações violentas se infiltraram, cobertos ou não por máscaras,
ao mais generalizado tipo de movimento, afastando o apoio popular inicialmente
conquistado (lembrem que em 1964 havia cenário semelhante, a população se
socorreu no regime militar). Não aprendemos nada?
Com
as mobilizações enfraquecidas, o Congresso voltou a sua habitual letargia e,
daqui até o outubro do próximo ano, não se vislumbram votações e decisões que
possam arranhar o cristal da classe política.
Diante
desse quadro, o que ainda mobiliza eleitores é a própria disputa eleitoral. A
um ano das eleições, com os principais atores já posicionados e a expectativa
diante de pesquisas, a política tem servido apenas para bate-papo ao final da
tarde.
Como
diria Hegel (27/08/1770 a 14/11/1831): “O verdadeiro é o todo.”
quinta-feira, 27 de junho de 2013
#Artigo: Eu me represento!
As recentes manifestações deixaram de “calças na mão” nossa democracia representativa. Aos gritos de “sem partido”, mobilizaram milhares de pessoas, e a sociedade civil organizada flagrou-se confusa.
A Nova República eclodiu a partir de manifestações surgidas com o movimento das Diretas Já, que devolveu à população a possibilidade de escolher e eleger seus representantes. Naquela época de transição do regime militar, a principal característica dos atos públicos era o grande número de lideranças, entidades, artistas e partidos.
Fafá de Belém cantou o Hino Nacional, que nas ruas de hoje é entoado por anônimos. O esporte e o futebol tiveram sua liderança com o “doutor” Sócrates. Os movimentos sindicais emanaram a maior de suas lideranças: Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse tempo, também despontou seu atual aliado: Paulo Maluf.
Sem redes sociais e com apoio velado da imprensa (havia censura), o movimento mobilizou cidadãos em todo o país e, em uma de suas últimas passeatas, cerca de 1,5 milhões de pessoas foram às ruas de São Paulo. Pela lógica, em comparação aos dias atuais, muito ainda está por vir.
Cerca de oito anos depois, o fora Collor. Entidades como UNE (União Nacional de Estudantes) e UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas) foram alavancas do “impeachment” do atual Senador da República, Fernando Collor de Melo, colega de cadeira e legislatura de José Sarney, Renan Calheiros e do ex-cara-pintada Lindberg Farias, hoje petista.
Alicerçado, então, nosso Estado Democrático de Direito e as eleições gerais, partimos para a disputa partidária pelo poder entre a provável esperança e o medo, a direita versus esquerda, a revanche permanente entre governo e oposição. A cada eleição, alianças partidárias com subsequentes governos de coalizão cooptaram agremiações, lideranças e entidades.
Nessa geleia, os partidos criaram um fosso entre suas políticas e os anseios da população. Falta-nos a participação da sociedade, o debate e interação com grandes temas, falta-nos a democracia direta e a possibilidade de decisão, seja no valor da passagem de ônibus, na destinação de recursos ou em projetos de emenda à constituição.
O Congresso Nacional e o Palácio do Planalto não podem mais ser castelos em que coabitam déspotas de nossa política. A participação popular não deve ser menos igual nas decisões tomadas pelos eleitos. Esse descolamento subtraiu a representatividade dos partidos.
Em contrapartida, a aparente apatia dos cidadãos terminou e até que a corrupção e o locupletamento não façam mais parte da política e da República, o uníssono “sem partido” deve permanecer nas ruas.
O Establishment brasileiro acabou. Eu me represento!
terça-feira, 16 de abril de 2013
Quem é José Batista Júnior, o "garoto Friboi", que pode mudar a política nacional #Eleições2014
Para os que não sabem, a Friboi é uma das maiores financiadoras de campanha do Brasil. Júnior é filiado ao PSB e tem pretensões políticas. Como recebeu 7,5 Bilhões do BNDES, sofre pressão de Lula para se filiar ao PMDB (e não ao PT), tudo isso com o possível propósito:
"Temer (...) aceitaria o “sacrifício” cedendo a vaga ao PSB. Em troca, seria candidato a governador de São Paulo apoiado pelo PT, (...) Lula, presidenta Dilma e de mais quantos partidos e líderes influenciáveis pelos dois. Vale ressaltar que governar São Paulo é um velho sonho de Temer."
Saiba mais:
"Temer (...) aceitaria o “sacrifício” cedendo a vaga ao PSB. Em troca, seria candidato a governador de São Paulo apoiado pelo PT, (...) Lula, presidenta Dilma e de mais quantos partidos e líderes influenciáveis pelos dois. Vale ressaltar que governar São Paulo é um velho sonho de Temer."
Saiba mais:
Diário da Manhã: Reengenharia na política brasileira:http://bit.ly/11mnRKc
Brasil 247: “LULA PRESSIONA JUNIOR DO FRIBOI A DEIXAR PSB” http://bit.ly/11mp3gI
domingo, 14 de abril de 2013
#Artigo: O culpado é o coveiro! (sobre o responsável pelo fim da Reforma Política) #Eleições2014
Habitualmente, nos clássicos suspenses e
tramas literários e cinematográficos que envolvem maquinações de toda a espécie,
a culpa é do mordomo. Na política, em alguns casos, esta fica com a amante e o
caseiro (respectivamente, a lembrar os casos Renan e Palocci). Desta vez, o responsável é um
simbólico coveiro.
Deixando de lado a ficção e as investigações
mirabolantes propostas por Sir Arthur Conan Doyle, em especial, vamos aos fatos
– facilmente identificados através da mídia e de algumas buscas na internet –
que levaram ao “sepultamento” da Reforma Política na Câmara dos Deputados.
O relatório (réquiem!) da proposta tinha
pouco mais que cinco pontos e deixou de lado, na tentativa de um acordo, temas de
pertinência direta à população, como voto facultativo, por exemplo.
O relator, ao defender sua posição, em
especial o financiamento público exclusivo, citou empreiteiras e bancos
privados como principais financiadores de campanhas e responsáveis pelo chamado
caixa dois.
Errou. Esse dinheiro não declarado à justiça
eleitoral é de uso (não) responsável dos políticos e candidatos. E apesar de
seu empenho e esforço, o deputado não obteve apoio nem mesmo de seus
partidários, quiçá de outras agremiações que não permitiram, na denominada reunião
de líderes, a votação deste item em plenário.
Ora, vamos às pistas: a) quem tem interesse
em ser financiado pela iniciativa privada é um político; b) deve ser lobista e
bem relacionado com empresas e partidos; c) tem que possuir influência na
Câmara dos Deputados; d) não pode deixar rastros; e) possui grande interesse
nas próximas eleições.
Contudo, para o sucesso das peripécias de
nosso sepultador é preciso astúcia e cenário propício, ao que proponho um
“flashback”: a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, resultou (direta ou
indiretamente) na articulação do Projeto de Emenda a Constituição – PEC, 37,
que restringe poderes do Ministério Público, maior responsável por investigar casos
de corrupção.
Outras consequências são a Medida Provisória
595, a MP dos Portos, cuja síntese centraliza gestão e licitações, e a
manifestação do ministro da Advocacia Geral da União (AGU) que defendeu da
regulamentação do lobby. Uma vez que a operação da PF atingiu seu gabinete.
Essa “teoria da conspiração” aponta para um
único suspeito, e quem está atento ao “fog” político nacional tem
facilidade em perceber algumas "coincidências": para despistar
pegadas, a tentativa de controle e censura à mídia; para possíveis
financiamentos futuros, as viagens pagas em defesa de interesses empresariais; para
emperrar votações no Congresso, o controle quase absoluto sobre possíveis
candidaturas.
Adicione-se a isso filiações partidárias de empresários
que financiam campanhas, poder e tráfico de influência sobre órgãos públicos e partidos
da base governista (correligionários ou não), sem falar na maestria de quem
usufrui do modelo político atual e teremos a resposta ao nosso enigma.
Elementar, meus caros leitores, Lula é o “coveiro”!
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Artigo: A nova oposição
Após o término da Era Militar, a Constituição de 1988 consolidou o presidencialismo. Desde então, sobrevieram agremiações partidárias que procuram representar diversos setores e anseios da sociedade, matizes originadas entre esquerda e direita.
Com o movimento “Diretas Já”, reconquistamos o direito ao voto presidencial. É verdade que, por vezes, tropeçamos em nossas escolhas, característica do exercício da liberdade democrática. Todavia, já nos organizamos em “caras pintadas” e hoje o fazemos pelas redes sociais. Mantemo-nos alertas e caminhamos a passos largos na consolidação do Estado Democrático de Direito e na escolha de nossos representantes.
Nesse alicerce, elegemos os presidentes do Brasil. Agora, com a presidente Dilma, são decorridos dez anos em que nosso país é dirigido por um mesmo partido. Com o regime presidencialista apoiado por diversas siglas e em nome da governabilidade, governo e base aliada (partidos que compõem o governo) aglutinaram conquistas e derrotas.
No aspecto econômico, enfrentamos a crise internacional sem que o pesadelo da inflação ou da recessão nos atingisse diretamente. Com medidas preventivas, mantivemos, mesmo que modestamente, os patamares da economia e da sociedade.
De outro lado, a oposição, quando derrotada no Congresso Nacional, costuma recorrer ao Supremo Tribunal Federal buscando atravancar o governo e judicializando o Legislativo, tendo como motivador o rancor eleitoral.
Diante dessa rivalidade e do desgaste pelo qual passa o governo é preciso deixar de lado o revanchismo e buscar um posicionamento propositivo. Melhorar o que está bom e o que está ruim, destravar reformas importantes como a política e a tributária. O Brasil é o bem maior, acima das disputas, onde a corrupção deve ser combatida e as barganhas abandonadas.
Essa é a “Nova Oposição”, consciente da necessidade de ser autocrítica e fazer parte do governo. Sabedora de que oposicionismo em si não se sustenta nem se estabelece, mas se faz com propostas e soluções, pró-ativa em fiscalizar e propor.
A nova oposição é feita, sim, por partidos, mas acima de tudo, por ideias e pelo ideal de que o governo de um país não se constrói sozinho, mas com apoio de partidos e da participação popular.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Entrevista de @ZehDeAbeu à Folha (trecho sobre política)
Fonte: http://bit.ly/RBcJTM
O MENSALÃO E O PT
"Eu nunca conversei com o Zé [José Dirceu] a respeito das denúncias. Acho que o PT fez o que sempre se fez. É errado? Sim! Mas fez o que sempre se fez".
"Por que o PPS apoia o Serra em São Paulo e o Paes/Lula/Dilma no Rio? Qual o sentido disso? Roberto Freire [presidente do PPS] passa 24 horas por dia no Twitter metendo o pau no Lula, chamando de ladrão e de corrupto, e fecha com o Paes aqui, com um vice-candidato a prefeito do PT? É venda de espaço, venda de horário, venda da sigla. Vou ser processado. Já estou sendo processado pelo Gilmar Mendes [ministro do STF, por chamá-lo de corrupto no Twitter]]. Agora, talvez seja processado pelo Freire." --procurado pela reportagem, Roberto Freire declarou: "Esse ator tem uma ética política que orbitava ao redor do PCB [Partido Comunista Brasileiro]. Agora, ele não tem mais nada disso. Não merece meu respeito nem a minha resposta."
"O Supremo quer mudar a maneira de fazer política no Brasil. Ótimo, maravilha! Óbvio que tinha que começar com o PT. Então, agora para ser condenado no Brasil basta ser preto, puta, pobre e petista."
"O grande organizador da base foi o Zé Dirceu. Eu não tenho informação de cocheira para falar. Lendo a imprensa, deu para notar o seguinte. Antes do Lula ser eleito, houve uma reunião dele com o Zé Dirceu dizendo que ele não queria mais concorrer, né? E o Zé o convenceu com a ideia do José de Alencar [ex-vice-presidente] ser vice, de abrir um pouco mais o PT, de fazer coligação etc. Isso tudo foi o Dirceu quem fez não o Lula. Mas se for a história do domínio do fato, tem que prender o Fernando Henrique por comprar a eleição dele, porque tem provas. Agora se fala, eu sei que houve, mas não sei quem fez. O deputado Ronnie Von Santiago [que era do PFL-AC] falou eu ganhou R$ 200 mil para votar a favor da reeleição do Fernando Henrique. Ah, o FHC não sabia? Mas pelo domínio do fato, não saber é como saber. Então se pode enquadrar qualquer um, até o Lula, que sem dúvida nenhuma é o grande objetivo..."
"O PT está virando o Brasil de cabeça para baixo, está colocando uma mulher na presidência, um negro na presidência do STF, tirando 40 milhões da pobreza, fazendo um cara que sai do Bolsa Família, do ProUni, fazer mestrado em Harvard, ter os primeiros lugares do Enem."
"Como é que um operário sem dedo, semianalfabeto faz isso que nunca fizeram? O nosso querido Fernando Henrique Cardoso, que era a minha literatura de axila na faculdade, que era meu ídolo. Não o Lula. O Lula era da minha geração, o FHC de uma anterior. Fernando Henrique, Florestan Fernandes eram os caras que queria mudar o Brasil. Aí o Fernando Henrique tem a oportunidade e não faz? Vai para a direita? É uma coisa louca. O que aconteceu? O PT e o PSDB nasceram da mesma vértebra. Era para ser um partido só. O que acontece é que chegam ao poder e vendem a alma ao diabo. Fica igual ao que foi feito nos 500 anos. O PT teve o peito de tentar romper, rompeu e está pagando por isso."
"Eu votei no Fernando Henrique na primeira vez [na eleição de 1993]. Achava que ele era melhor do que o Lula naquela oportunidade. E foi mesmo. O Lula foi melhor depois."
*
JOSÉ DIRCEU E A DITADURA
"Conheci o Dirceu quando entrei na faculdade [no curso de direito da PUC-SP], na década de 1960. Eu entrei na faculdade já no pau, tem uma piadinha que eu faço, que quem não era de esquerda não comia ninguém. Porque ser de direita naquela época era ou ser extremamente mau-caráter ou alienado. Alienado era bobão, não sabia nem que existia a ditadura. Eu fui um dos representantes da faculdade na UNE [União Nacional dos Estudantes]. Foi nessa época que eu fiquei mais próximo do Dirceu."
"Não fui torturado durante a ditadura. Fui preso junto com o Zé Dirceu em Ibiúna, no congresso da UNE,e m 1968. Eu fiquei preso uns dois meses, levei uns tapas na cabeça, quando ia para o Dops [Departamento de Ordem Política e Social] prestar depoimento."
"A coisa ficou pesada depois do AI-5 [ato institucional que restringiu mais as liberdades civis], eu fui solto dois dias antes, foi a maior sorte. No dia 13 de dezembro, fui na faculdade, no Tuca e o porteiro disse que a polícia tinha ido atrás de mim, de armas. Nunca peguei em armas, fui embora para o Rio, e fiquei prestando apoio logístico para uma organização de esquerda. A única ação que eu fiquei sabendo depois e eu participei foi transportar o dinheiro tirado de um cofre do governador Adhemar de Barros [1901-1969]."
"O meu contato com a organização era um concunhado que foi preso junto com a Dilma, na rua da Consolação. Só tinha duas atitudes, ou entrar na luta armada ou deixar a organização. Minha companheira estava grávida do meu primeiro filho. Conversamos. Eu nunca pensei que poderíamos derrotar as forças armadas. Éramos 500 mil, 600 mil estudantes, tinha operário e militar, mas a grande maioria era estudante classe média."
"Foi quando eu fui para a Europa, em 1972, para Londres, Amsterdã. Virei místico, fui estudar hinduísmo, filosofia oriental. Fiz ioga, meditação, macrobiótica, fui vegetariano, meditava quatro vezes por dia, vivia numa ilha grega, comendo frugal. Lá tomei ácidos. Muitos com orientação, para fazer pesquisa. Tinha um livro que ensinava. Tinha uma pessoa que brincava com o incenso. O contato foi maravilhoso. Era algo cósmico. No Brasil, enquanto a gente estava gritando paz no Vietnã, nos EUA eles gritavam 'make love' [faça amor]. Era a mesma coisa, mas um tinha um lado hippie, lisérgico. A minha geração, alguns amigos ficaram na esquerda, outros fizeram a revolução já hippie. Eu tive o privilégio de fazer parte dos dois lados."
"Quando voltei ao Brasil anos depois, fui dar aulas em Pelotas, me desliguei dessa parte política e me foquei na arte. Me meti na profissão, fui ter filho e cuidar deles como o John Lennon fez. Limpando a bunda, acordando de madrugada para dar de mamar. Sendo um pai e mãe. Dividindo igualmente tudo e foi lindo.Depois fui para Porto Alegre, comecei a produzir música, levei Gilberto Gil, Rita Lee, Novos Baianos. Montei uma peça do Chico Buarque, 'Saltimbancos'. Acabei fazendo um filme muito louco, 'A Intrusa', ganhei um prêmio em Gramado e a Globo estava lá e me chamou."
*
INTERNET
"Na segunda eleição do Lula, eu tinha um blog e fui muito atacado. Eu estava no Acre, fazendo a minissérie 'Amazônia'. Aquela eleição já foi muito radicalizada. Eu sou viciado em internet há muito tempo. Fui um dos primeiros atores a ter uma senha do Ministérios das Comunicações. Em 1994, 1995, já usava internet num provedor que o Betinho [Hebert de Souza] tinha por causa do Ibase [Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas]. Eu, o Paulo Betti, o Pedro Paulo Rangel fomos os primeiros atores a usar internet. Eu fiz muito ator comprar computador e ter internet. O mais comum era ouvir 'não gosto de internet'. Mas no futuro ia ser algo como não gostar de telefone, de liquidificador. O José Mayer me apelidou de Zé Windows."
"Sou geminiano, gosto de comunicação e cai no Twitter com a história da campanha da Dilma, que foi a primeira campanha em que as redes sociais foram muito usadas."
*
DILMA ROUSSEFF
"Não tive contato com a Dilma durante a ditadura. A gente era da mesma organização [VAR-Palmares]. Só se for fazer muita ilação. Não vou dar uma de Joaquim Barbosa..."
"Lula é Dilma e Dilma é Lula. Isso é um mantra, a cumplicidade dos dois é total. Quando o Lula começou com essa história de ter Dilma como candidato, todo mundo assustou. O pessoal do PT mesmo, o Lula pirou, como faz? Nunca tinha acontecido isso, uma pessoa que não tinha ganhado nenhuma eleição ser candidata a presidente."
*
MINISTÉRIO DA CULTURA E A POLÍTICAS DE COTAS
"Eu não sei o que foi aquilo [Ana de Hollanda]. Um dia a gente ainda vai saber o que aconteceu. Depois ferrou, a Dilma é teimosa, não ia tirá-la na pressão. Ela esperou acabar tudo para trocar o ministério. A Ana é esquisita, uma pessoa difícil. Eu fui falar com ela uma vez, foi muito difícil. Quando entrou, batia de frente com o PT inteiro, com os deputados todos que cuidavam da cultura. Achei uma desfaçatez com o ministério da Cultura."
"Agora precisa um levantamento para saber o deve ser feito. Mas a chegada da Marta [Suplicy] foi muito boa."
"Sou a favorzaço de cota em tudo. Nós temos uma dívida. Há quantos anos um negro não podia entrar na faculdade? Podia pela lei, mas não entrava. Não tinha oportunidade igual. Na minha classe, tinha um negro em 50 alunos. Os ricos têm a impressão de que vão roubar deles. Mas o Lula conseguiu mostrar que dá para dividir e eles ganharam mais dinheiro ainda porque entrou muita gente no mercado para comprar coisas. Por mais que a Dilma dê porrada nas montadoras, elas estão amando a presidente."
"Foi uma surpresa [cota para negros em edital do MinC], eu não li o projeto, mas a rigor, eu acho que o Brasil tem um débito muito grande e se for contar a escravatura, o débito não se paga nunca."
"Não esperava que o Brasil fosse dar esse salto de assumir que é racista, de o governo assumir que existe racismo, de que existem problemas sérios, de que o brasileiro não é cordial com os seus. O brasileiro sabe explorar seus empregados. Hoje em dia, ter empregada doméstica está cada vez mais difícil. É claro! Quem quer lavar a cueca de um marido que não seja seu. É degradante."
*
FUTURO DO PT E PRESIDÊNCIA EM 2014 e 2018
"Vou chutar aqui. Se o Eduardo Paes [prefeito do Rio] fizer um puta governo, agora com a Olimpíada, com a Copa, vai ganhar uma visibilidade absurda, pode enlouquecer e querer ser presidente pelo PMDB, sem ter sido governador. Obviamente, o Eduardo Campos [governador de Pernambuco, pelo PSB] é uma coisa natural, neto do Miguel Arraes."
"O PSDB está acabando, o DEM acabou, o partido do Kassab [PSD] conseguiu algumas coisas, mas ele tomou o partido e agora está perdendo força. Kassab quis ser o Lula. Se o Haddad fizer um bom governo, se for eleito prefeito e ficar quatro, depois mais quatro pode ser um candidato em 2018. Daqui a seis anos o Lula ainda tem idade para tentar a presidência, mas se eu fosse ele, ia ser governador de São Paulo, só para acabar com a brincadeira [do PSDB]. Aí ficava Lula, Dilma e Haddad. São Paulo ia ser capital do mundo."
*
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Recomendo - Sobre presidenciáveis, artigo de @denirothenburg no Correio (@cbonlinedf) de hoje "Os quatro Ases de 2014"
OS QUATRO ASES DE 2014
O protagonismo central da política começa a se deslocar de São Paulo e do PT. E, para completar, a reunião de quase todos os aliados de Dilma sob o guarda-chuva do PSB em Recife mostra insatisfação dos partidos com o modus operandi do Planalto
A largada de toda a eleição municipal, em especial o desenho das alianças, é sempre uma temporada de apostas para a sucessão estadual e presidencial seguinte. A deste ano apresenta pelo menos dois aspectos que merecem atenção redobrada da classe política como um todo. O primeiro é a sensação generalizada entre diversos atores de que há uma ausência de grandes nomes rumo à Presidência da República em São Paulo, o celeiro dos votos.
Pela primeira vez em muitos anos, São Paulo parece fadado a perder a perspectiva de ponta de lança. O portfólio que se apresenta por lá está longe de ter aquela “pegada” capaz de encantar o eleitor. Ali, PT e PSDB evitaram tanto a formação de novos líderes que tornaram difícil o surgimento de nomes naturais charmosos e temperados. E com todos os partidos divididos como estão é que não sairá nada dali.
Entre os tucanos, há tempos se vê apenas um revezamento entre Geraldo Alckmin e José Serra. No PT, só há algo novo porque Fernando Haddad foi imposto por Lula. E, se não fosse o ex-presidente, interessado em “morder canelas” por seu pupilo, Haddad não teria nem o PCdoB, que lhe deu a vice, e nem o PSB — apontado pelos petistas como o causador de problemas musculares logo no aquecimento, uma vez que a inclusão de Luiza Erundina na chapa teve validade menor do que a de um iogurte. Por pouco, não restou a Haddad apenas Paulo Maluf — e, ainda assim, graças a uma vaga no governo Dilma.
O outro novo dessa seara é Gabriel Chalita, do PMDB. Chalita custou a encontrar um partido que lhe fizesse candidato justamente por causa do cerco de petistas e tucanos à formação de novos quadros de ponta. Agora, paga o preço de largar rumo à campanha sufocado pelo petismo e pelos tucanos. Os demais não são novos na política local ou estadual.
Com esse jogo armado em São Paulo, há quem diga que desse baralho não sairá grandes cartas para 2014. Serra, se vencer, não tem como largar a cadeira de prefeito. Geraldo Alckmin é praticamente candidato a governador, e com o peso da fadiga de material. A não ser que queira abrir o governo ao PSD com Guilherme Afif Domingos, não tem plano B. Dali restará apenas o prefeito Gilberto Kassab, possível candidato a vice em alguma chapa presidencial.
Por falar em baralho…
Os ases, dessa vez, não estão em São Paulo. Um deles está em Recife, ao ponto de os jornais paulistas se ocuparem da sucessão da capital pernambucana em editorial. A reunião dos maiores aliados de Lula/Dilma em torno da candidatura de Geraldo Júlio, do PSB do governador Eduardo Campos, representa um recado claro da insatisfação dos partidos da base com o modus operandi do governo federal e do petismo.
A presidente não é lá muito interessada em aplainar terrenos eleitorais ou políticos. Essa falta de apetite coincide com um momento de fragilidade de Lula, que ainda convalesce. Para completar, o mesmo PT que quer todos sob a sua estrela em São Paulo resiste a apoiar aliados em cidades como Porto Alegre.
Por falar em aliados...
A postura do PT em várias cidades mostra que o partido de Lula trata de seus aliados de uma forma subalterna, diferente do jogo que armam o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos. Em Minas Gerais, a pedido dos tucanos que mantiveram o apoio a Márcio Lacerda em Belo Horizonte, os socialistas fecharam com o PSDB em várias cidades importantes do estado, e não com o PT. Aécio, ex-governador de Minas e o número 1 do PSDB ao Planalto para 2014, aproveitará essa eleição para percorrer o país e se apresentar nacionalmente. Aliás, já tem feito esse trabalho.
Assim, Aécio e Eduardo, um de Minas, outro de Pernambuco, são hoje dois ases rumo a 2014. Nada desprezível também é o movimento do prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PMDB. Silenciosamente, manteve quase todos os partidos a sua volta. Você, leitor, deve estar imaginando quem será o quarto ás desse jogo. Por enquanto, ele ainda é visto como um “segundo time”, mas há quem esteja de olho nos movimentos do senador Lindbergh Farias, do Rio.
Esses quatro são observados à distância pela rainha vermelha que comanda o Planalto e tem aprovação recorde. Nenhum desses atores, inclusive Dilma, saiu das hostes paulistas. Há um deslocamento em curso transformando São Paulo, berço dos votos, em terra disputada por todos. Se esse movimento vai se confirmar ou os paulistas criarão seus ases, só o futuro dirá.
A largada de toda a eleição municipal, em especial o desenho das alianças, é sempre uma temporada de apostas para a sucessão estadual e presidencial seguinte. A deste ano apresenta pelo menos dois aspectos que merecem atenção redobrada da classe política como um todo. O primeiro é a sensação generalizada entre diversos atores de que há uma ausência de grandes nomes rumo à Presidência da República em São Paulo, o celeiro dos votos.
Pela primeira vez em muitos anos, São Paulo parece fadado a perder a perspectiva de ponta de lança. O portfólio que se apresenta por lá está longe de ter aquela “pegada” capaz de encantar o eleitor. Ali, PT e PSDB evitaram tanto a formação de novos líderes que tornaram difícil o surgimento de nomes naturais charmosos e temperados. E com todos os partidos divididos como estão é que não sairá nada dali.
Entre os tucanos, há tempos se vê apenas um revezamento entre Geraldo Alckmin e José Serra. No PT, só há algo novo porque Fernando Haddad foi imposto por Lula. E, se não fosse o ex-presidente, interessado em “morder canelas” por seu pupilo, Haddad não teria nem o PCdoB, que lhe deu a vice, e nem o PSB — apontado pelos petistas como o causador de problemas musculares logo no aquecimento, uma vez que a inclusão de Luiza Erundina na chapa teve validade menor do que a de um iogurte. Por pouco, não restou a Haddad apenas Paulo Maluf — e, ainda assim, graças a uma vaga no governo Dilma.
O outro novo dessa seara é Gabriel Chalita, do PMDB. Chalita custou a encontrar um partido que lhe fizesse candidato justamente por causa do cerco de petistas e tucanos à formação de novos quadros de ponta. Agora, paga o preço de largar rumo à campanha sufocado pelo petismo e pelos tucanos. Os demais não são novos na política local ou estadual.
Com esse jogo armado em São Paulo, há quem diga que desse baralho não sairá grandes cartas para 2014. Serra, se vencer, não tem como largar a cadeira de prefeito. Geraldo Alckmin é praticamente candidato a governador, e com o peso da fadiga de material. A não ser que queira abrir o governo ao PSD com Guilherme Afif Domingos, não tem plano B. Dali restará apenas o prefeito Gilberto Kassab, possível candidato a vice em alguma chapa presidencial.
Por falar em baralho…
Os ases, dessa vez, não estão em São Paulo. Um deles está em Recife, ao ponto de os jornais paulistas se ocuparem da sucessão da capital pernambucana em editorial. A reunião dos maiores aliados de Lula/Dilma em torno da candidatura de Geraldo Júlio, do PSB do governador Eduardo Campos, representa um recado claro da insatisfação dos partidos da base com o modus operandi do governo federal e do petismo.
A presidente não é lá muito interessada em aplainar terrenos eleitorais ou políticos. Essa falta de apetite coincide com um momento de fragilidade de Lula, que ainda convalesce. Para completar, o mesmo PT que quer todos sob a sua estrela em São Paulo resiste a apoiar aliados em cidades como Porto Alegre.
Por falar em aliados...
A postura do PT em várias cidades mostra que o partido de Lula trata de seus aliados de uma forma subalterna, diferente do jogo que armam o PSDB de Aécio Neves e o PSB de Eduardo Campos. Em Minas Gerais, a pedido dos tucanos que mantiveram o apoio a Márcio Lacerda em Belo Horizonte, os socialistas fecharam com o PSDB em várias cidades importantes do estado, e não com o PT. Aécio, ex-governador de Minas e o número 1 do PSDB ao Planalto para 2014, aproveitará essa eleição para percorrer o país e se apresentar nacionalmente. Aliás, já tem feito esse trabalho.
Assim, Aécio e Eduardo, um de Minas, outro de Pernambuco, são hoje dois ases rumo a 2014. Nada desprezível também é o movimento do prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PMDB. Silenciosamente, manteve quase todos os partidos a sua volta. Você, leitor, deve estar imaginando quem será o quarto ás desse jogo. Por enquanto, ele ainda é visto como um “segundo time”, mas há quem esteja de olho nos movimentos do senador Lindbergh Farias, do Rio.
Esses quatro são observados à distância pela rainha vermelha que comanda o Planalto e tem aprovação recorde. Nenhum desses atores, inclusive Dilma, saiu das hostes paulistas. Há um deslocamento em curso transformando São Paulo, berço dos votos, em terra disputada por todos. Se esse movimento vai se confirmar ou os paulistas criarão seus ases, só o futuro dirá.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Artigo: Votar em quem ou em quê?
As eleições deste ano têm surpreendido a todos. Não pelo surgimento de um provável estadista, tampouco pela propositura de grandes projetos e ideias, mas pelo pragmatismo de partidos e candidatos.
Nessa semana, o ex-presidente Lula, no intuito de tentar eleger seu candidato em São Paulo, articulou coligação (e posou para fotos) com o ex-governador Paulo Maluf, político brasileiro que figura entre os mais procurados em todo o mundo pela Interpol (Polícia Internacional).
O fato provocou alvoroço entre partidos, militantes e eleitores. Afinal, vale à pena, pela conquista de poder, fazer qualquer tipo de aliança? Seja por espaço na TV, obtenção de recursos financeiros ou barganhas de cargos, pode-se deixar de lado as ideologias partidárias?
No caso de Porto Alegre, mais por questões ideológicas entre as siglas – pela própria característica do debate político dos gaúchos –, tivemos a oportunidade de acompanhar, numa espécie de prévia, o apoio não concretizado de um partido tipicamente de direita a um partido de esquerda, comunista.
Nesse processo, debateu-se, também, apoiar o atual prefeito da capital, pertencente a uma sigla mais ao centro. Mas o que caracteriza esse posicionamento entre centro, direita e esquerda? Os estatutos e programas partidários, por certo!
Simples, mas nem tanto. Nacionalmente, acabamos de chegar ao trigésimo partido registrado. Nesse contexto, como o eleitor pode identificar, com clareza, quais as principais características de cada um? Diretamente, através de seus representantes, candidatos e ocupantes de cargos. Ou nem assim?
Esquerdismos à parte, uma eleição não deve significar unicamente a implantação de um projeto de “ditadura do proletariado” ou, no caso da direita, um programa liberal ou conservador, exclusivamente. São dias de sincretismo político.
Exemplo: o governo Lula pautou-se pela socialdemocracia, o assistencialismo e a caracterização de um modelo em que ele mesmo disse que não existiria mais direita e esquerda. A meu ver, é este o caminho a que se dirige nossa política. Mas a que preço?
Não fosse o baixo nível de alguns “abraços” que precedem a campanha eleitoral e as exceções nas políticas de aliança, perceberíamos facilmente que vivemos tempos de democracia moderna.
Temos senadores e deputados que já tiveram seus mandatos cassados e voltaram a ser eleitos. Corre, no Congresso Nacional, uma CPI Mista que procura apurar corrupção envolvendo desde governadores a integrantes de instituições públicas e privadas em vários níveis.
Seria a corrupção o reflexo do pragmatismo político transformado em fisiologismo ao se obter o poder? Talvez, pois o passo após a eleição é a formação da “base aliada”, a busca pela governabilidade.
Nada disso tem a ver com a dicotomia entre esquerda e direita, mas em ser oposição ou fazer parte do governo, sua composição e projeto. Tem a ver, principalmente, com essa dita governabilidade que pode transformar opositores em aliados.
Mas o que existe, de fato, é a necessidade de se atender a quem elege: o eleitor! A população! Em síntese: Votamos no quê? Votamos em quem?
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