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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
#Artigo: Religião mata!
Em 1993, uma menina, padecida por anemia falciforme, seguido de quadro de leucemia, morreu após o procedimento de transfusão de sangue ser impedido. Os pais, Testemunhas de Jeová, optaram pela morte da filha à transfusão.
Nesta semana, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) decidiu pela não imputação de crime quando da decisão dos pais de não realizarem transfusão de sangue nos filhos, mesmo que isso venha a matá-los.
Contudo, a decisão deixa a cargo do médico a responsabilidade pelo respeito a ética médica. Em contraponto, eleva sobremaneira a liberdade religiosa. A decisão parece paradoxal. Tentou preservar - caso raro - todas as partes envolvidas.
Na prática, a partir de agora, pais podem não autorizar ou encaminhar os filhos a realizar procedimentos, mas quando o médico o fizer, ciente da necessidade, deverá atuar em razão da preservação da vida, não da religião.
Com a reversão da decisão inicial, do tribunal de justiça de São Paulo (de levar o caso a júri popular), e a recusa da sustentação do Ministério Público, pela condenação por assassinato, o STJ pode ter aberto uma brecha na legislação.
Exemplifico: são vários os casos em que pais são presos após matarem filhos em rituais religiosos, como o ocorrido em Maceió. Na época (2009), a mãe argumentou estar possuída por uma entidade que almejava vingança por ela ter mudado de religião.
Esse é um caso extremo. Porém, a que ponto podem, os que creem, praticar seus atos em nome da fé e da religião? A liberdade religiosa pode se sobrepor à preservação da vida? Acredito que não.
A decisão está posta. Entretanto, fica um questionamento: houve isenção ou os ministros de nosso hipócrita Estado laico a deixaram de lado em nome de impressões pessoais ou culturais?
Enquanto todo o país luta pela doação de sangue e órgãos, o Judiciário caminha na direção oposta, prevalecendo a religião sobre a vida, justificando atitudes daqueles que abominam hemocentros.
No momento em que vivemos, de expansão de seitas dogmáticas e conservadoras, onde até pastor é candidato a presidente, não é sensato “incentivar” o fim da laicidade e a morte pela religião.
domingo, 17 de agosto de 2014
"Não tenha pressa, vamos chegar", disse-me Eduardo Campos.
O evento estava tomado por uma multidão de prefeitos de todo o país. Eduardo, que chegara separado de Marina, chegou pela entrada principal. O local era confuso, e as entradas de garagem mais ainda.
Alguém havia me avisado de sua chegada. Responsável pela condução de autoridades, corri ao seu encontro. Acostumado a essas situações, para que não perdesse a participação no debate que estava prestes a começar, disse a ele: "Vem comigo, governador".
Em meio a seguranças e jornalistas, atalhamos por dentro da plateia que, acomodada esperando o início de sua fala, ficou eufórica ao vê-lo entre cadeiras, flashs e selfies.
Para facilitar o deslocamento, já que eu o guiava e Eduardo não conhecia o local, ele segurou em meu braço enquanto o puxava salão a dentro.
Nisso, alguém saca o celular para uma foto, bate-se em mim e o celular cai. Eduardo para, abaixa-se, pega o celular,olha-me, com o verde ofuscante dos olhos e o sorriso característico, e diz: "Não tenha pressa, vamos chegar". Enquanto entregava o aparelho a seu dono, que completava a frase "... e vamos ganhar a eleição".
- Presidente, uma foto, por favor. Disse. Eduardo, muito simpático e solicitou, parou, fez a foto, e seguiu comigo até onde era aguardado.
Deixou-me uma lição.
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| Eduardo Campos: "Não tenha pressa" |
Alguém havia me avisado de sua chegada. Responsável pela condução de autoridades, corri ao seu encontro. Acostumado a essas situações, para que não perdesse a participação no debate que estava prestes a começar, disse a ele: "Vem comigo, governador".
Em meio a seguranças e jornalistas, atalhamos por dentro da plateia que, acomodada esperando o início de sua fala, ficou eufórica ao vê-lo entre cadeiras, flashs e selfies.
Para facilitar o deslocamento, já que eu o guiava e Eduardo não conhecia o local, ele segurou em meu braço enquanto o puxava salão a dentro.
Nisso, alguém saca o celular para uma foto, bate-se em mim e o celular cai. Eduardo para, abaixa-se, pega o celular,olha-me, com o verde ofuscante dos olhos e o sorriso característico, e diz: "Não tenha pressa, vamos chegar". Enquanto entregava o aparelho a seu dono, que completava a frase "... e vamos ganhar a eleição".
- Presidente, uma foto, por favor. Disse. Eduardo, muito simpático e solicitou, parou, fez a foto, e seguiu comigo até onde era aguardado.
Deixou-me uma lição.
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